Arquivo do mês: março 2014

Publicação inédita comprova que o lixo está contaminando os peixes de forma irreversível

Segundo a publicação “Pollution and Fish Health in Tropical Ecosystems”, lançado recentemente no Brasil, a poluição de ambientes aquáticos está contaminando os peixes de forma irreversível.  Continuar lendo

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Água

Mar de lixo

Por Marcos Scotti e Arthur Conceição – O que o mar leva o mar devolve. Nem sempre no mesmo lugar, mas devolve. Essa simples constatação é suficiente para se entender a quantidade de lixo encontrada nas praias ao redor do mundo, mesmo as mais desertas. Os escombros que resultaram do tsunami que devastou parte do Japão, chegaram às ilhas do Havaí.

Aquela garrafinha de água que você esqueceu na praia neste verão e o mar levou, com certeza vai acabar em outra praia. Ao mesmo tempo em que se discute a balneabilidade e a questão do saneamento urbano das praias brasileiras, vive-se um problema controverso: o que fazer com o lixo e o esgoto produzido pelas populações que habitam as cidades litorâneas?  Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Água, Sustentabilidade

Lixo na reserva

Descartado por um navio, lixo tóxico foi parar na Ilha do Cardoso. Foto: Arthur Conceição.

Descartado por um navio, lixo tóxico foi parar na Ilha do Cardoso. Foto: Arthur Conceição.

Reserva da biosfera, declarada pela Unesco, patrimônio natural da humanidade, berçário estuarino lagunar onde nasce grande parte das espécies de peixes e crustáceos que vivem no mar e garantem a cadeia alimentar marinha, o litoral norte paranaense e sul de São Paulo sofre a pressão constante do crescimento populacional e desenvolvimento econômico, apesar dos esforços de conservação e preservação. O lixo aqui também é problema. “É só entrar no manguezal para ver o tamanho do problema”, dizem os pescadores da Ilha do Superagui, Parque Nacional criado em 1989.

Em 20 quilômetros percorridos, entre a faixa de areia e a restinga, os dejetos se misturavam à imensidão da praia e aos pássaros marinhos. Não fosse o deserto que é a praia, poderia se dizer que o lixo havia sido deixado por pessoas pouco conscientes. No entanto, a origem do lixo é uma só: o mar. Preservativos, garrafas de refrigerantes de origem internacional, produtos plásticos em vários formatos,  galões de óleo de toda espécie, sucatas de equipamentos de informática e uma infinidade de tralhas e traquitanas que são disputadas por uma quantidade enorme de pássaros marinhos, deixam a natureza à mercê da civilização.

Sofrem os pescadores, que dependem do mar para sobreviver, e sofrem as espécies da fauna e flora, algumas endêmicas, que só existem ali, naquele santuário ecológico.

Segundo Marcelo Chassot Bresolin, chefe do Parque Nacional do Superagui, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o lixo acumulado na praia Deserta da Ilha do Superagui é proveniente dos navios, que transitam pelo Porto de Paranaguá e das cidades litorâneas. “A logística de qualquer retirada de material é complexa por haver resíduos imensos. Todos esses dejetos estão espalhados pela praia. A logística para recolher este lixo envolve  pequenas carroças e balsas para depois ser transportado até o continente. Isso não pode ser realizado somente pela equipe da unidade, que é pequena. Depende de parcerias com a sociedade civil”.

É o que acontece sistematicamente, por exemplo, no Rio Grande do Sul. No final do ano passado, um mutirão de pescadores tirou da foz do rio Jacuí, no Rio Grande do Sul, em dois dias, 25 toneladas de lixo, uma quantidade 150% superior a encontrada em 2010, quando aconteceu o 3º mutirão no Delta do Jacuí. Geladeiras, aparelhos de televisão, forno de microondas, sofás, capacetes, cadeiras de praia e pneus, muitos pneus, foram recolhidos. Vânia Mara, gestora da Área de Preservação Ambiental do Delta do Jacuí, num desabafo, diz que os pescadores, por tirarem sua sobrevivência das águas e respeitarem a época de reprodução dos peixes, sabem da importância de se manter os rios e mares limpos. No entanto, a população só se dá conta da realidade quando vai à praia e encontra o mar sujo.

Outro exemplo de consciência ecológica vem do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, no litoral sul de São Paulo. “Estamos sempre limpando a praia e levando o lixo para a cidade de Cananéia, ou as vezes queimamos alguma coisa para não acumular”, conta Antonio das Neves Cubas, pescador da Vila de Cambriú, no Cardoso. “As piores sujeiras acontecem quando bate o vento leste, acompanhado de tempestades. Aí o mar fica bravo. Parece que tudo aquilo que está no fundo vem para cima e chega até a praia. Já encontramos muitos golfinhos e tartarugas mortas por causa desta lixarada”, esbraveja o pescador.

Gestora do parque estadual, Márcia Santana de Lima explica que o lixo nas praias do parque atualmente está controlado. “O aparecimento de lixo na praia tem muito a ver com as correntes costeiras. Não temos grandes relatos de acúmulo de lixo marítimo na Ilha do Cardoso. Sempre ocorrem campanhas de limpeza na praia e os moradores auxiliam coletando o lixo encontrado na areia”, destaca Márcia. Apesar da responsabilidade da coleta de resíduos nas praias da Ilha do Cardoso ser da prefeitura de Cananéia, são as ações voluntárias dos moradores das comunidades que efetivamente surtem efeito. (Publicado na edição 43 da revista “Bem Público”).

Deixe um comentário

Arquivado em Água